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PORTUGUÊS 12º ano 2º Teste Heterónimos

Teste de Português

GRUPO I

Compreensão e análise de texto: análise de um poema de Fernando Pessoa

Competências:

- Heterónimos de Fernando Pessoa: Alberto Caeiro & Ricardo (estrutura interna do poema = tema)
- Estrutura externa de um poema (versos)


GRUPO III

Produção de texto: Fernando Pessoa, heterónimos

Competências:

- Escrever um texto estruturado, acerca de um Heterónimo de Fernando Pessoa (devidamente justificado com expressões de poemas).
                        * ALBERTO CAEIRO
                        * RICARDO REIS

GRUPO I
Compreensão e análise de texto: análise de um poema de um dos Heretónimos de Fernando Pessoa

ALBERTO CAEIRO

- É uma das facetas mais significativas da poesia do heterónimo que foi Mestre de Fernando Pessoa, de Ricardo Reis e de Álvaro de Campos. Caeiro ensinou a ver o mundo e a fruir a realidade, captando a sua essência, através dos sentidos, alheio a estéticas literárias e a concepções filosóficasm, libertando o seu criador da prisão da autoconsciência, da dor de pensar. Por isso, pensa como Fernando Pessoa mas, em vez de sentir a dor, afasta o pensamento de si = não pensa, é mais feliz.

- CARACTERÍSTICAS:

1)      Pastor por metáfora – atitude perante a vida; vive em sintonia/harmonia/comunhão com a Natureza
2)      Felicidade: captação da realidade pelos sentidos
3)      Recusa o pensamento – meio de atingir paz
4)      Sensacionista – sentidos em vez do pensamento; visualismo
5)      Anti-metafísica (recusa do pensamento)
6)      Poeta Bucólico – da Natureza -, simples
7)      Deambulante/ carácter anti-social, solitário
8)      Escrita deambulatória: reprodução da realidade objectiva
9)      Objectividade das sensações – usa comparações para concretizar as emoções
10)  Falso não pensante
11)  Poesia como acto espontâneo
12)  Paganista/Panteísta

Características temáticas
  • Objectivismo
- apagamento do sujeito
- atitude antilírica
- atenção à "eterna novidade do mundo"
- integração e comunhão com a Natureza
- poeta da natureza
- poeta deambulatório
  • Sensacionismo
- poeta das sensações tais como são
- poeta do olhar
- predomínio das sensações visuais e das auditivas
- o "Argonauta das sensações verdadeiras"
  • Antimetafísico
- recusa do pensamento ( Pensar é estar doente dos olhos)
- recusa do mistério
- recusa do misticismo
  • Painteísmo naturalista
- tudo é Deus as coisas são divinas
  • Paganismo
  • desvalorização do tempo enquanto categoria conceptual (Não quero incluir o tempo no meu esquema)
  • Contradição entre a teoria e a prática
Características estilísticas
  • Verso livre, métrica irregular
  • Despreocupação a nível fónico
  • Pobreza lexical ( linguagem simples, familiar)
  • Adjectivação objectiva
  • Pontuação lógica
  • Predomínio do presente do indicativo
  • Frases simples
  • Predomínio da coordenação
  • Comparações simples e raras metáforas

           

- “Ser poeta não é ambição minha/ É a minha maneira de estar sozinho

Cada coisa é uma descoberta constantemente surpreso
 
Sem ambições
Sem expectativas
Sem sonhos
 
 





- POEMAS

            GUARDADOR DE REBANHOS
“Eu nunca guardei rebanhos”
“Pensar incomoda como andar à chuva”
“Não tenho ambições nem desejos./Ser poeta não é uma ambição minha,/É a minha maneira de estar sozinho.”
“(...) sinto o que escrevo ao pôr-do-sol.”

“Sou um guardador de rebanhos./O meu rebanho é os meus pensamentos/E os meus pensamentos são todos sensações./Penso com os olhos e com os ouvidos”
“Pensar é ver uma flor e cheirá-la”
“Sinto com todo o meu corpo deitado na realidade, /Sei a verdade e sou feliz.”

            Assume-se como um pastor por atitude perante o mundo. Capta a realidade da Natureza, numa descoberta contínua, através dos sentidos, onde a visão é priviegiada, fruindo da tranquilidade da Natureza sem a presença de outros humanos (anti-social).
Os estados de alma são espontâneos e oscilam de acordo com o acontecer.
Através da sensação, o s.p. cria uma unidade com o que o rodeia. O eu está no mundo embebido da circunstância, o que lhe dá tranquilidade e sossego mesmo quando algo lhe provoca tristeza.
            Integrado na Natureza, os seus «pensamentos são contentes», lamentando o facto de saber isto, pois coloca-se perante o problema de pensar-saber, ou seja, da intelectualização do sentir. Afirma que os pensamentos são: contentes quando captam a essência do mundo, através das sensações; e tristes porque não escapam ao acto de racionalizar.
            Escrever poesia não é a sua ambição, é um sereno e solitário acto de estar em ligação perfeita e harmoniosa com o que o rodeia. A sua poética é simples, tal como a sua vida.
            Neste poema, o s.p. saúda os leitores e deseja que estes adiram ao espectáculo da Natureza no seu acontecer, que a vejam, usufruindo desta através «duma janela aberta» (os seus olhos) tranquilamente.

            O MEU OLHAR É NÍTIDO COMO UM GIRASSOL
“O meu olhar é nítido como um girassol”
“Sinto-me nascido a cada momento”
“Pensar é não compreender”
“A única inocência é não pensar”



RICARDO REIS
Características temáticas
  • Epicurismo
- busca da felicidade relativa
- moderação nos prazeres
- fuga à dor
- ataraxia ( tranquilidade capaz de evitar a perturbação)
  • Estoicismo
- aceitação das leis do destino
- indiferença face às paixões e à dor
- abdicação de lutar
- autodisciplina
  • Horacionismo
- carpe diem: vive o momento
- aurea mediocritas: a felicidade possível no sossego do campo (proximidade de Caeiro)
  • Paganismo
- crença nos deuses
- crença na civilização da Grécia
- sente-se um "estrangeiro" fora da sua Pátria, a Grécia.
  • Culto do Belo, como forma de superar a efemeridade dos bens e a miséria da vida
  • Intelectualização das emoções
  • Medo da morte

  • Neooclacissismo
- Poesia construída com base em ideias elevadas
- Odes
  • Quase ausência de erotismo em contraste com o seu mestre Horácio
Características estilísticas
  • Submissão da expressão ao conteúdo: a uma ideia perfeita corresponde uma expressão perfeita
  • Forma métrica: ode
  • Estrofes regulares em verso decassílabo alternadas ou não com hexassílabo
  • Verso branco
  • Recurso frequente à assonância, à rima interior e à aliteração
  • Predomínio da subordinação
  • Uso frequente do hipérbato
  • Uso frequente do gerúndio e do imperativo
  • Uso de latinismos ( atro, ínfero, insciente,...)
  • Metáforas, ufemismos, comparações
  • Estilo construído com muito rigor e muito denso


GRUPO III
Produção de texto: Fernando Pessoa, heterónimos
- Escrever um texto estruturado acerca de um dos Heterónimos de Fernando Pessoa (devidamente justificado com expressões de poemas).

            a) ALBERTO CAEIRO – exemplo de texto:

"Alberto Caeiro (...) surge como homem de visão ingénua instintiva, gostosamente entregue à infinita variedade das sensações" - Jacinto Prado Coelho
Alberto Caeiro centra toda a sua atenção na natureza, utiliza as sensações como principal meio de observação, rejeitando, deste modo, a consciência, pois esta impediria a deambulação e o sossego.
A postura do eu poético, ao longo de todos os seus poemas é de serenidade, observação e ingenuidade, e isso reflecte-se também a nível da composição e estruturação dos poemas. Utiliza uma linguagem oralizante e prosaica, métrica irregular e versos soltos, o que reflecte a ausência de instrução e o desejo que este tem em sentir-se livre.
É um poeta que não utiliza adjetivos, pois estes iriam distorcer a realidade e impedir que se observasse a realidade objectiva das coisas. Verifica-se também que existe a ausência de ambições, pois iriam dificultar a total comunhão com a natureza. Não acredita no transcendente, nem naquilo que ultrapassa a realidade e está para além do poder dos sentidos, e isso verifica-se principalmente no poema "Há metafísica bastante em não pensar em nada".
Em suma, podemos observar que a felicidade do sujeito poético só é completa se existir um afastamento dele em relação as pessoas, e também se não utilizar a consciência, pois esta impossibilita a comunhão com a natureza e a total felicidade do poeta. Elaborado por: Bruno Cabral

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